Difícil Não Errar…

Nelson Rodrigues certa vez disse: “muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos.” Pois bem, como escritor e jornalista de quinta, que tem em seus temas prediletos a política e o futebol, tenho percebido que o nosso centenário dramaturgo está inteiramente correto. Principalmente quando analiso as eleições para prefeito de Recife deste ano.

Depois de participar, como jornalista convidado, na TV Nova Nordeste, de alguns debates entre candidatos às prefeituras de municípios da RMR, eu me perguntava acerca do futuro daquela cidade, se eu poderia ter, inconscientemente, com alguma pergunta, influenciado uma pessoa a votar em alguém que não merece o seu voto. Em Recife, caso eu participasse de algum debate entre os seus candidatos, esse questionamento poderia me levar à depressão.

Dentre os quatro candidatos mais bem avaliados nas pesquisas, não há um que me agrade. Seja por conhecer maus aspectos pessoais de um, por discordar de posicionamentos políticos de outro ou mesmo por me incomodar com as alianças e os companheiros de palanque de todos.

O candidato Geraldo Júlio, apadrinhado pelo Governador Eduardo Campos, era um ilustre desconhecido. Com o apoio de Eduardo, tornou-se uma febre mediática. Mas jogou de forma suspeita. Alegou, em campanha, ter feito o que não fez e acabou virando um “meme” na internet. Tem sido ridicularizado, mas lidera as pesquisas. Ganhará o primeiro turno e talvez seja eleito no primeiro turno. Esse candidato, porém, sabemos que foi Eduardo que fez.

Humberto Costa é vítima do “tiro no pé” dado pelo PT, que se desgastou com a população no episódio envolvendo o escanteamento de João da Costa e a escolha de Humberto/João Paulo para a disputa do certame. Além disso, ele sempre foi ruim de voto. Certa vez, conversando com um amigo jornalista, foi me dito que, até na época de movimento estudantil, Humberto costumava perder eleições. Venceu para senador, mas utilizando-se de um expediente que, agora, tem sido o seu maior pesadelo: ganhou votos sob a sombra da popularidade de outro, na época, a do presidente Lula.

Já Daniel Coelho consegue disfarçar bem que não é do PSDB. Tem crescido nas pesquisas, mostrado vigor nos discursos e apresentando ideias bem construídas. Seu azar é o fato de que TODO MUNDO SABE que ele é um Tucano. Ele é de um partido “queimado” e representa uma ideologia que, para o povo pernambucano, já é ultrapassada. Além disso, vez por outra as asas do tucano podem ser vistas por debaixo dos pelos do coelho.

Mendonça Filho, depois desta eleição, talvez desista de concorrer a um cargo no Executivo. Deveria, pelo menos.

Diante dos fatos, me traz um alívio ter meu minha residência eleitoral em Paulista e um desgosto ao ter que concordar com Ronald Geagan: “Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira.”

Fodam-se! Fodam-se todos!

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