Em boas mãos…

Munique nunca mais será a mesma. Londres, mais precisamente o bairro de Chelsea, também não. A final da UEFA Champions League foi marcada por uma dicotomia que se é ontologicamente mais que milenar, é futebolisticamente centenária: o confronto entre ataque e defesa, nesta oportunidade, com a segunda saindo vencedora.

Não sou defensivista, gosto do bom futebol, jogado pra frente. Admiro, porém, o futebol da entrega, o futebol dos 120%, onde os atletas jogam o que sabem e o que não sabem. Gosto, sobretudo, do futebol equilibrado, do futebol que se preocupa com todos os setores, que não ignora as suas deficiências, nem superestima suas qualidades.

O Chelsea foi um exemplo de superação. Ao contrário dos românticos, dos que nunca entraram num campo e encontraram as dificuldades de se enfrentar um adversário notadamente superior, não creio que a equipe inglesa foi covarde, creio que ela foi consciente, obediente ao seu plano tático, dedicada à proposta de jogo. Drogba foi o maior símbolo de aplicação nesta conquista. Foi premiado com o gol do empate e a cobrança que valeu o título, na decisão por pênaltis.

Não estou dizendo que gostei de ter visto o Bayern ser derrotado. Achei interessante o fato de boa parte dos analistas cravarem o Bávaros como campeões, ignorando uma equipe que havia parado o, ainda, melhor time do mundo nas semifinais. Ignorando, sobretudo, o imponderável que marca a história do futebol. É tão fácil quanto perigoso dizer que a melhor equipe sairá vencedora.

Justiça seja feita, este é o pior Chelsea desde que Roman Abramovich o assumiu. Por outro lado, esta, talvez, fosse a última chance de uma geração com jogadores do calibre de John Terry, Frank Lampard, Petr Cech e Didier Drogba ser campeã européia, fato que, caso o capitão dos Blues não tivesse escorregado na cobrança do pênalti decisivo na final da temporada 2009/2010, contra o Manchester United, teria acontecido. Vi a vitória londrina como justiça histórica.

Por mais que digam que a competição merecia um campeão que jogasse um melhor futebol, vejo como algo positivo a variação de estilos de jogo vencedores, talvez essa seja uma das condições sine qua non para que o futebol seja apaixonante como é. Parabéns aos Blues, parabéns ao futebol, e que venham outros campeões.

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